Medicamentos isentos de prescrição: perfil de consumo e os riscos tóxicos do paracetamol

Tatiana Paschoalette Rodrigues Bachur, Jhonattas Alexandre Barbosa Freitas, Marta Maria de França Fonteles, Matheus Eugênio de Sousa Lima, Teresa Maria de Jesus Ponte Carvalho

Resumo


Os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) representam uma parcela importante na farmacoterapia mundial para tratamento de doenças e sintomas menores. Intoxicações relacionadas aos MIPs são frequentes e relevantes. Dentre os MIPs, destaca-se o paracetamol, um dos fármacos mais consumidos, sendo hepatotóxico em sobredosagens. Este estudo objetivou enfocar o risco tóxico do paracetamol isoladamente ou em associação com outros fármacos, consistindo em uma análise teórica, tipo revisão narrativa, utilizando as bases de dados SciELO, Bireme e PubMed e fontes como Lilacs, Medline, Microsoft e Google Academic, além de informações de sites de instituições oficiais e repositórios. Observou-se que analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios não-esteroidais (AINES), representam as classes mais consumidas no Brasil, destacando-se paracetamol, dipirona e ácido acetilsalicílico. Nas intoxicações por MIPs, assim como naquelas causadas por associações medicamentosas, os analgésicos e AINES predominam; o paracetamol destaca-se com índices superiores a 70%. Os mecanismos tóxicos do paracetamol envolvem geração de metabólito tóxico, disfunção mitocondrial e alteração da imunidade inata, acarretando comprometimento hepático, com manifestações clínicas variando de assintomáticas a sintomáticas, agravadas por fatores de risco como uso de álcool, desnutrição, doenças, como dengue, e medicamentos em uso concomitante. Neste contexto, o farmacêutico desempenha relevante papel na monitorização e prevenção de intoxicações por paracetamol.


Palavras-chave


Medicamentos isentos de prescrição; Intoxicação; Paracetamol

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DOI: http://dx.doi.org/10.22280/revintervol10ed3.337

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